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domingo, 12 de agosto de 2018

Giovanna Lancellotti: 'Vivemos numa sociedade machista e temos que lutar pelos nossos direitos'

Atriz fala de sua personagem em 'Segundo Sol' e revela o que tem em comum com a mau caráter Rochelle

Por Léo Dias
O Dia
Giovanna Lancellotti é a Rochelle de 'Segundo Sol'

Giovanna Lancellotti está na pele da patricinha mau caráter Rochelle, em 'Segundo Sol'. Nascida no interior de São Paulo e atualmente morando no Rio por conta da carreira de atriz, Giovanna encara aos 25 anos um papel diferente de tudo que já tinha feito. Quando perguntada se tem algo em comum com uma personagem com desvio de caráter ela é enfática: 'a determinação!'. Não por acaso, Giovanna saiu da casa dos pais cedo, aos 15 anos. Aos 16 foi emancipada para conseguir fazer seus testes sozinha sem depender dos pais que não tinham tempo de acompanhá-la. Mas hoje, todo esforço está mais do que recompensado. Desde a estreia na TV, em 2011, ela já coleciona dois prêmios como melhor atriz (revelação e coadjuvante). Com vocês, Giovanna Lancellotti Roxo.
A Rochelle é um sucesso. Você esperava essa repercussão toda?
Eu sabia que tinha uma personagem incrível na minha mão e uma história muito boa para contar. Eu em senti desafiada pela Rochelle desde a minha primeira leitura. É uma personagem que te instiga, perdi algumas noites de sono por causa dela (risos). É um papel diferente do que já tinha feito e que exigia bastante. Mas novela é uma obra aberta, a gente nunca sabe como será a aceitação do público. Eu estou feliz demais com a repercussão dela. É um trabalho que estou me entregando por completo, que tenho respirado 24 horas por dia. Uma novela exige muita dedicação e saber que o público comprou a história da Rochelle... Isso me enche de alegria.
O que você ouve nas ruas?
Nossa, eu escuto de tudo um pouco (risos). Tem uma turma que quer me dar bronca, que diz que eu sou má e muito ruim com a minha mãe (mais risos). Tem outros que querem me dar conselhos. E muita, muita gente vem falar que se diverte com os absurdos que a Rochelle fala. Sinto que tem uma turma que ama odiar a Rochelle, sabe? Tenho escutado também algumas pessoas a chamando de 'Diabelle'. Eu amo essa troca com o público, conversar, saber o que as pessoas estão achando.
Qual seu maior desafio em fazer essa personagem?
Todos os possíveis! Ela é uma jovem bem complicada. Rochelle tem um desvio de caráter forte, com uma relação bem problemática com a família. É uma menina que foi criada com tudo, mas que, no fundo, se sente injustiçada e sem nada. Minha preocupação era fazer dela uma personagem crível que, mesmo diante de situações absurdas, as pessoas comprassem o que ela diz e faz. Ela é uma personagem de nuances. Além disso, tinha o sotaque. Eu tenho o meu sotaque (risos), que é bem diferente do dela. Foi preciso unir todos esses elementos.
Você tem aprendido algo com a Rochelle?
Difícil aprender algo com a Rochelle (risos). Mas eu costumo dizer que existe uma coisa que eu tenho em comum com ela: a determinação. Claro que usamos isso de forma bem diferentes. Ela canaliza para prejudicar os outros. Mas ela tem essa força dentro dela, pena que age de forma bem errada.
Qual é o peso de interpretar uma vilã no horário nobre?
Eu não sinto um peso. Não mesmo. Aliás eu tenho amado e me divertindo bastante com a Rochelle. O que acontece é que uma trama no horário nobre tem mais repercussão, vejo uma interação maior das pessoas nas ruas. Mas eu acho isso uma delícia. Gosto mesmo dessa abordagem da galera que assiste e quer trocar.
E os figurinos estilosos dela? Você usaria? Já se apoderou de algum desses ou pretende ficar com algumas peças futuramente?
Eu adoro o figurino da Rochelle, acho a cara dela. E tem umas peças que eu usaria sim. A equipe de figurino arrasou quando pensou nela, porque tem umas combinações, tem diversas coisas que eu acho lindo. Eu, Giovanna, sou mais básica no meu dia a dia. Rochelle está sempre montada. Ainda não peguei nenhuma peça dela não. Mas pretendo!!! (risos)
A Rochelle tem um problema sério com o dinheiro. Ela quer sempre comprar, estar na moda... Como é a sua relação com o dinheiro?
Eu sou muito tranquila mesmo (risos). Não sou aquela pessoa que vive indo para o shopping gastar. Aliás, esse é um tipo de passeio que eu nem curto. Eu e minha mãe, por exemplo, estamos sempre trocando peças do nosso armário. Pego várias coisas dela e aí estou sempre com algo novo (gargalhadas). Minha mãe cuida do meu dinheiro e ela administra essa parte muito bem.
Qual foi a coisa mais cara que você já comprou na vida?
Olha, difícil essa pergunta. Eu sou aquela pessoa que pechincha preço de tudo (risos). Eu negocio mesmo. Mas eu acho o mais caro foi o meu apartamento.
Você se considera mão aberta ou mão de vaca? Explica pra a gente?
Eu sou mais econômica (gargalhadas), só para não dizer mão de vaca. Como falei, eu não sou de gastar com besteira. Quando eu saio para comprar algo, eu já sei o que eu quero. Pesquiso preço das coisas, negocio sempre que posso. Gente, ganhar dinheiro não é fácil, esse é o porquê (risos).
Quanto de dinheiro tem na sua carteira agora?
Tem o meu cartão (risos). Eu uso mais o cartão de débito do que dinheiro no dia a dia.
No fim do ano passado, você terminou um namoro longo. Está solteira?
Sim, eu estou solteira!
Pensa em casar um dia?
Ah, eu penso sim. Mas um dia... (risos). No momento, eu estou focada na minha carreira. Tenho muita coisa para viver e conquistar antes de pensar em casamento.
Quer ter filhos?
Sim, eu quero!
De zero a dez, quanto você é vaidosa?
Sete é a média para passar? (risos). Se sim, eu sou sete! Eu me preocupo com o corpo. Além de ser minha ferramenta de trabalho, gosto de estar e me sentir bem. Cuido do meu cabelo, da minha pele. Tenho os meus cuidados, então não tem como dizer que não sou vaidosa. Mas tenho uma relação tranquila com a vaidade. Eu, por exemplo, faço exercícios regularmente. Mas, se estou com vontade de comer um brigadeiro, eu como. Simples assim.
Você mora sozinha. De todos os afazeres domésticos qual você não sabe fazer?
(Gargalhadas) Olha, não sou um exemplo nesse quesito afazeres domésticos. Se precisar dar uma arrumada na casa, eu faço de boa. Cozinhar é a minha perdição. Não sei mesmo (risos).
Você foi vítima de assédio aos 14 anos. Conta pra a gente como foi?
É um episódio que até hoje me dá raiva. Eu estava indo viajar de São João para Ribeirão Preto, visitar meu pai, quando um cara se masturbou no ônibus. Na ocasião, eu não sabia como reagir. Fiquei assustada, liguei para a minha mãe, que me orientou e me acalmou. Mas eu fui e denunciei o cara para o motorista do ônibus, e ele foi expulso. Eu sempre fui muito bem instruída pelos meus pais a fazer valer os meus direitos e nunca ficar calada em situações como essa. Se precisar, eu grito mesmo!
Como você vê o empoderamento feminino?
É maravilhoso. Que bom que temos cada vez mais mulheres conscientes de sua força e valor. Esse entendimento é muito importante. Vivemos numa sociedade machista e, para romper com esse ciclo, temos que lutar pelos nossos direitos, pelo nosso espaço. Feminismo não é mimimi. Feminismo não quer roubar o lugar do homem. Feminismo fala sobre igualdade.
Como você lida com as redes sociais?
É um canal direto com as pessoas que gostam do meu trabalho. Eu curto bastante as redes sociais. Sempre que eu posso, vejo a novela acompanhando o Twitter, para ver o que a galera está dizendo.
Você tem alguma superstição?
Tenho mais superstição no ano novo (risos). Uso calcinha branca sempre, faço uma oração antes de virar o ano. Mas está aí: sempre faço oração nos bons momentos, para agradecer, e nos mais complicados também.

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